9 de ago de 2013

NERD É A TUA MÃE!

Cerca de cinco anos atrás, eu tinha um blog pessoal em que comentava diversos assuntos, incluindo teorias da conspiração e atualidades, certa vez publiquei um artigo falando sobre o hype em torno da figura do nerd. "A Farsa Nerd" foi o texto mais lido de toda a história do blog, que durou cerca de um ano e meio.

Eu me lembrei desse texto ao saber que um determinado editor de quadrinhos, o mesmo cara que eu desmascarei recentemente aqui no Caixa de Gibis (veja http://caixadegibis.blogspot.com.br/2013/05/fas-de-quadrinhos-sao-mesquinhos.html) agora é editor de uma revista que se chama "NERD". O mesmo cara que chama os fãs de quadrinhos de "homofóbicos, preconceituosos, retrógrados" e nos compara aos nazistas, agora vai tirar mais uma lasquinha dos nerds, com uma nova revista. Ironia do destino, achei meu texto antigo e vi que ele era profético! Segue abaixo, com as duas sequências que escrevi: "Bem- Vindo à Nerdlândia" e "Nerds Somos Néscios".

Os textos tem um viés anticapitalista, mas aquela era minha visão de mundo na época, antes de eu cair na real. Mas, pensando bem, não tiro uma vírgula do que escrevi, até mesmo porque sou a favor do capitalismo sim, mas completamente contra a exploração, a hipocrisia e a ignorância.

Até hoje eu brinco com essa coisa do nerd nas redes sociais e aqui no blog, mas sempre rejeitei o título. Gosto de cultura pop, mas não sou nenhum retardado e não me deixo explorar por causa disso, nem limito minha cultura a esse nicho. Quando alguém me pergunta se sou nerd, respondo com o título deste post. 

Boa leitura!





A FARSA NERD

Quando eu era moleque e via aqueles filmes americanos sobre colegiais, achava fascinante a figura do Nerd.
Aquele cara que vivia estudando, lendo, que nunca saia de casa, era humilhado pelos esportistas da escola, louco por ciências, usava óculos ridículos, tinha espinhas nojentas, pálido, se vestia totalmente fora de moda e não sabia nem dizer um "oi" para uma garota, parecia algo com que eu poderia me identificar, realmente.

O Nerd era um outsider sem querer, não era um Punk ou um Hippie nem Gótico ou qualquer coisa que você possa querer ser ou se tornar, parecia simplesmente um cara de personalidade autêntica que não se enquadrava em padrões sociais, um desajeitado com todo direito a sê-lo, o Nerd era assim porque era assim e ser chamado de Nerd era uma ofensa.

Muitas pessoas não sabem muito bem definir o que seria um Nerd, mas vejamos a definição da Wikipédia :
"Nerd é um termo que descreve, de forma estereotipada, muitas vezes com conotação depreciativa, uma pessoa que exerce intensas atividades intelectuais, que são consideradas inadequadas para a sua idade, em detrimento de outras atividades mais populares. Por essa razão, um nerd é muitas vezes excluído de atividades físicas e considerado um solitário pelos seus pares. Pode descrever uma pessoa que tenha dificuldades de integração social e seja atrapalhada, mas que nutre grande fascínio por conhecimento ou tecnologia."

Ninguém que não fosse meio louco ou não tivesse tirando um sarro jamais diria que queria se tornar isso, ninguém ainda com domínio de sua consciência gostaria de se tornar aquela gosma caótica e rastejante que era o Nerd.

Mas isso, como muitas coisas, oh meus leitores e poucos amigos, também mudou !

Recentemente li uma matéria em um grande site falando sobre o "tecnosexual", vejam algumas definições :

"Hoje em dia os viciados em tecnologia (antigos nerds, hoje geeks) estão cada vez mais em evidência, a moda agora são os Tecnosexuais… não sei se ainda tem quem pensa que nerd é um cara de camisa xadrez, suspensório e óculos fundo de garrafa… não é… um nerd é uma pessoa “normal”…"
"o tecnosexual, ou tecnodiva para as mulheres. A palavra é atribuída a Ricky Montalvo, físico e matemático americano, que define o tecnosexual como um ser narcisista e urbano, fascinado pela informática, com um alto nível cultural e de vida. Este 'ser' cuida muito do corpo e está sempre antenado nas últimas tendências da tecnologia. Nunca sobreviveria sem seu MP4 player, celular de ultra-mega-power geração, seu notebook, internet, redes sociais... Seria quase um nerd bonitão, sem o biotipo clássico : de óculos, espinhas e tímido. Agora é esperar novos ícones tecnosexuais."

Já faz algum tempo que observo esse hype em torno do Nerd, de como tem se tornado uma coisa "cool", um estilo de vida, a ponto de gerar essa merda esdrúxula de "tecnosexual". O que podemos pensar é que com a transformação da tecnologia digital e da internet em algo comum e presente em nosso cotidiano, criou-se a ideia de que estar na moda, ser o cara legal, bem informado e antenado com as novidades significa possuir uma porção de gadgets, comprar no mínimo um computador por ano, consumir muita cultura pop e ostentar esses produtos como os troféus, os símbolos máximos do bem estar e sofisticação da vida urbana. Essa ideia obviamente é usada pela propaganda desses produtos para poder populariza-los, criar a necessidade artificial de possuí-los.

Para que isso fosse possível foi necessário "limpar" a imagem dessas bugigangas eletrônicas, do videogame e dos quadrinhos, que foram associados a figura absurda do Nerd durante muitos anos. Assim, de uma década para outra tornou-se comum afirmar que o Nerd não é ou não precisa ser um cara desagradável, antisocial e feio como pensávamos antes. De uma hora pra outra todo mundo passou a querer ser Nerd, tornou-se algo desejável, uma espécie de identidade urbana, um fenômeno. Hoje as maiores comunidades nerds das redes sociais contam com mais de 10.000 membros, e crescem cada vez mais. É comum se afirmar Nerd e não causa mais vergonha, fala-se em "Orgulho Nerd" e o termo não é visto mais como uma grande ofensa.

Sabemos que o Nerd nunca foi uma tribo urbana, assim como o Punk, o Hippie ou o Gótico, por exemplo, mas acho que da mesma forma que estes foram transformados em ícones de consumo e perderam sua características de movimento espontâneo de uma subcultura juvenil , assim está acontecendo com o Nerd. Acho que houve uma diluição de sua figura clássica, ela foi transformada em mais um "target" de campanhas de marketing, e de uma pessoa que tinha paixão pelo conhecimento e pela ciência (e uma de suas aplicações práticas : a tecnologia) o Nerd passou a ser apenas um consumidor de gadgets e cultura inútil. Ser nerd passou a ser simplesmente comprar essas coisas, consumi-las.

O nerd passou de figura inteligente para apenas mais um idiota, um escravo da propaganda e do comércio, um típico e medíocre homem urbano.

Vejo, em um futuro bem próximo, marcas de roupa lançando coleções próprias para os nerds, marcas de cerveja e refrigerante explorando sua imagem e até bandas de música assumindo um "Nerdstyle" ou "Nerdcore", vejo as baladas nerd surgindo e se tornando point e o advento de esportes Nerd, pois uma vida sedentária não poderia ser incentivada em uma época politicamente correta como a nossa.

(talvez tudo isso até já exista mas nem quis pesquisar porque, pra ser sincero, to puto com tudo)

Assim essa imagem vai sendo vendida, com a ideia ridícula que há tempos surgiu de associar as figuras nojentas dos yuppies Bill Gates e Steve Jobs ao tipo nerd, e o slogan babaca de que o "Nerd de hoje é o seu patrão no futuro". É a mídia sempre iludindo as pessoas com a promessa de riquezas infinitas: Seja nerd hoje e milionário amanhã.

Eu prefiro sinceramente a velha imagem do Nerd autêntico, espontâneo, como era antes de toda essa banalização da tecnologia, dali eu podia tirar um exemplo de um cara que valorizava sua inteligência, e mesmo que fosse motivo de riso, era mais interessante e engraçado do que os campeões do futebol, esse não é o caso do pseudo-nerd contemporâneo, mais interessado em consumir e ele próprio subproduto do consumo que a mídia agora tenta nos fazer aceitar com o conceito ridículo de " tecnosexual ".

Mas é como sempre acontece, estão destruindo mais uma manifestação criativa para criar nichos de consumo, eu me pergunto até quando esse sistema estúpido vai continuar destruindo tudo.

Cabe a nós mostrar e preservar a face do verdadeiro Nerd.



NERD SOMOS NÉSCIOS



Este fim de semana uma questão muito complicada me afligiu enquanto navegava por meus blogs e sites preferidos: Qual deveria ser a tradução para o português da palavra Nerd? Ao que parece não existe uma definição adequada ao termo.

Antigamente eles eram chamados de CDF, que é como se definia no Brasil o cara que estudava muito. Hoje afirma-se que essa palavra não tem nada a ver com o Nerd, até porque o CDF não é na verdade uma criatura alienada por cultura pop como os Nerds são, a palavra saiu de moda e adotou-se o original americano. Nunca foi feita uma tentativa séria de traduzir o termo Nerd, e esta palavra vem se tornando cada vez mais comum, muito usada em várias ocasiões.

Seguindo a tradição dos franceses, que mantém intacta a sua língua mãe, sem influências da cultura americana, e como Eu sou um bom nacionalista, recuso-me a adotar uma palavra americana em meu vocabulário, por respeito ao valor da língua portuguesa de nossos ancestrais. Então, depois de muita reflexão e estudo, resolvi propor uma tradução legitimamente brasileira para a palavra Nerd!!

E escolhi a palavra Néscio como perfeito substituto do termo Nerd.

Os dicionários definem Néscio :

"nés.cio adj (lat nesciu1 Que não sabe; ignaro, ignorante. 2 Desassisado, inepto. 3 Estúpido, irresponsável. Antôn (acepções 1 e 2): inteligente. sm Indivíduo ignorante, inepto, irresponsável."

Mais ainda :

"Néscio: burro, estulto, estúpido, idiota, ignorante, imbecil, inepto, lerdaço, palerma, parvo, pateta e tolo"

Agora vamos a justificativa :

A velha imagem do Nerd sem vida social que não sabia fazer nada direito e por isso era maltratado pelos amigos da escola era com certeza uma tiração de sarro, por isso Nerd virou um termo ofensivo, mas hoje, como já demonstrei no primeiro artigo desta série, tornou-se aceitável e até interessante ser Nerd, isso porque o significado original da palavra foi esvaziado de sentido. De um cara estudioso e aplicado ás atividades intelectuais (que o tornavam antisocial), o Nerd foi transformado em um mero consumidor de gadgets e cultura pop, com uma pseudo vida social baseada nos produtos que consome, mais um target de campanhas de marketing que rendem milhões.

Refletindo outra vez sobre isso, cheguei a conclusão de que a palavra Nerd, antes pejorativa, hoje tem toda razão de ser, o Nerd de hoje faz por merecer o termo, ele é realmente um palerma, um debilóide, um parvo, um pateta, um tolo, por isso proponho o uso da palavra Néscio para defini-lo!!

Vamos pensar bem, quem mais desperdiça sua vida colecionando coisas de gosto duvidoso, tem como única diversão viver experiências virtuais e acalenta como únicas experiências reais a discussão sobre essas fantasias ?

Quem é incapaz de passar um dia que seja sem uma dose de cultura inútil, de eternas repetições sobre o mesmo tema e pseudonovidades da mídia ?

Quem é completamente acrítico acerca de tudo que consome e não consegue ouvir uma crítica, refletir e questionar um momento que seja sobre o valor real das bobagens que lhe tomam a vida inteira?

Que tipo de ser humano passa o dia no computador vendo pornografia, tendo seu cérebro atrofiado e seu corpo debilitado por horas infindáveis de exposição a conteúdos banais e sem valor cultural ?

Que criatura desperdiça seu tempo único de vida no planeta terra elogiando, dissecando e revirando feito um louco os detalhes mais banais de produtos inúteis que na realidade não passam de entretenimento escapista?

Quem se deixa ser escravizado por uma indústria que lhe destina produtos feitos para serem consumidos, descartados e em seguida repetidos e lançados no mercado com pequenas modificações, com o único objetivo de explorar os consumidores até o último centavo?

Quem confunde ciência com tecnologias fúteis e não compreende que sua parca inteligência está sendo usada para fins políticos quando trabalha para desenvolver tais produtos ?

Quem é medíocre suficiente a ponto de adotar produtos para simbolizar sua infância e se apegar a esses objetos como uma forma de fugir da maturidade, da velhice e da morte?

Quem tem sua concepção do mundo moldada por fantasias, (séries de TV, gibis, filmes, videogames, RPG, etc), não consegue separar as informações que recebe e definir o que é apenas um produto de entretenimento e o que tem relação com a realidade?

Quem tem seus gostos, comportamentos, moral e preferências sexuais moldadas pela indústria da pornografia ?

Quem não consegue definir sua visão política, seu conhecimento de história ou ciência sem ser moldado por ideias importadas, veiculadas em mídias comerciais?

A resposta pra tudo isso é apenas uma só : é um indivíduo burro, idiota, ignorante, palerma, pateta, um NÉSCIO...

UM NERD !!!!

Por isso eu proponho que o termo Néscio passe a ser a tradução oficial da palavra Nerd em língua portuguesa, com este termo conseguiremos definir completamente um fenômeno social tão importante em nossa época. Desta forma, poderemos manter intacta a integridade de nossa grande língua mãe e utilizar uma palavra mais adequada para definir o Nerd em toda sua complexa realidade.

É NÉSCIO !!




BEM-VINDO A NERDLÂNDIA

A cultura pop dominou o mundo, tornou-se uma paixão para muitas pessoas, isso é inquestionável. Uma grande parte delas foi levada a obssessão e se ocupa em colecionar, analisar e consumir de forma doentia os produtos de várias mídias : os quadrinhos, o cinema de entretenimento, os videogames, RPGs, etc.

Este hábito é muito mais comum do que se pensa, pois enquanto ainda fazemos uma imagem estereotipada da figura do Nerd como um outsider, a "nerdice" na verdade tornou-se quase uma regra de comportamento no meio urbano e algo socialmente aceito. Aos poucos a diversão das crianças deixou de ser uma brincadeira na rua, amarelinha, esconde-esconde, jogar pedras nas árvores e correr na chuva para tornar-se uma atividade relacionada ao consumo.

Durante anos as antigas brincadeiras infantis foram ridicularizadas e acabaram sendo substituídas por hábitos Nerds. Na medida em que as cidades foram se tornando mais violentas, os pais e responsáveis foram convencidos a deixar seus filhos em casa, acreditando que sair a rua poderia levá-los a delinquência. Ficar em casa e se divertir vendo filmes, jogando videogame, lendo gibis e navegando na internet é a regra de comportamento atual.

Nada disso aconteceu por acaso, o volume de negócios da indústria de entretenimento esta na casa dos trilhões e só foi fortalecido pela internet. Ninguém ganha dinheiro se seu filho ficar brincando na rua e desenvolvendo relações humanas saudáveis, a indústria quer que ele compre videogames, veja filmes e consuma um monte de lixo em merchandising, mesmo que isso cause um belo estrago na mente do garoto, ele tem que ser Nerd!!

Recentemente um fanático por Harry Potter cometeu suicídio após ficar sabendo o que iria acontecer no novo filme da série, e o cara tinha 32 anos, não era nenhuma criança, pelo menos no sentido físico. Ele era um Nerd. Ele deixou uma carta dizendo que após ouvir o "spoiler" e saber o que ia acontecer no filme, não tinha mais razões para continuar vivo.

Até os esportes tornaram-se um produto dessa mídia, de fato, hoje gostar de futebol não é mais praticar o esporte (um hábito saudável), mas ficar em casa na frente da televisão assistindo não só os jogos, mas também a novelinha da vida das celebridades esportistas.

Recentemente, um torcedor tentou suicídio em pleno estádio porque o time pelo qual ele torcia estava em uma fase ruim no campeonato, por isso ele havia perdido sua razão de viver.

Há poucos, na China, um viciado em internet morreu espancado em uma campo de reabilitação. Sim, há viciados em internet! Na Coréia do Sul, pais onde 90% da população possui conexão de banda larga, isso é tratado como problema de saúde mental, há também 300 mil viciados em games. Nos EUA estima-se que haja 9 milhões de viciados e a quantidade aumenta cada vez mais em todo mundo.


Os jovens perdem a ligação com o mundo real e preferem as relações virtuais, onde são mais populares e conseguem realizar suas fantasias. Porém isso não acontece somente aos viciados, a ligação com o mundo real enfraquece a cada dia entre os jovens comuns, na medida em que se aprimoram as formas de relação virtual e a vida sedentária dentro de casa se torna uma regra.

Um recente caso de assassinato envolvendo jogo de RPG foi julgado no Brasil, esses casos são cada vez mais comuns, é óbvio que nenhum desses jogos incita a violência, mas pode acontecer de pessoas imaturas confundirem fantasia com realidade e partirem pra realização de crimes. Os casos de hooliganismo no esporte são a prova disso.

Este é o ponto: as fantasias da cultura pop tornaram-se algo além de entretenimento e viraram a razão de viver de muita gente. Fãs de quadrinhos, games e filmes já partem pra agressões verbais quando seus ídolos, personagens ou criadores, são criticados. Levam tão a sério seus hábitos de consumo que substituem a vida real pelas fantasias. Se tem relações no mundo real, elas só ocorrem junto a pessoas que tem os mesmos hábitos.

O caso do crime do RPG motivou uma campanha para que o jogo não fosse associado a crimes, e manifestações fanáticas de jogadores que temiam ter sua razão de viver comprometida por uma possível perseguição ao jogo.

É lógico que toda vez que uma pessoa ousa questionar os efeitos negativos da cultura pop na sociedade ela é taxada de reacionária e conservadora, ou coisa pior, fascista e autoritário, porém, estranhamente, a defesa desses produtos sempre parte de profissionais da área. É lógico, todos querem defender seu ganha-pão.

Não interessa a mim estragar a diversão das pessoas, até mesmo porque eu sou um grande consumidor dos mesmos produtos, o que me parece estranho é que não há absolutamente nenhum senso crítico na grande maioria dos consumidores, parecem todos deslumbrados, enfeitiçados, contentes com o fim de sua vida real e a substituição por um universo de trivialidades. Estas indústrias trabalharam durante tantos anos fazendo-os acreditar que os computadores são a maior invenção de todos os tempos, criaram o fascínio por produtos tecnológicos, transformaram em dependência o gosto pelo entretenimento, fizeram isso com tanta habilidade e ganância que praticamente ninguém questiona a natureza dessa alienação.

A minha geração, que tem entre 25 e 30 anos, [hoje já tenho 32] ainda teve a oportunidade de viver antes desse fenômeno, mas quem nasceu após a popularização da internet e daí para a frente, não terá nenhuma noção do que é a experiência real. Sua vida passará a ser mediada por uma indústria, seu pensamento controlado, direcionado ao consumo insatisfeito e irrestrito.

Os produtos da cultura pop vão ser o sentido da sua vida, e quando o triste pixel da fantasia se desfazer, este pobre coitado será um infeliz, desesperado por um pouco mais de entretenimento, apegado a fantasias, alheio a própria realidade. Sua experiência com a vida será tão pobre e incompleta que este homem, adulto apenas no corpo, não terá nenhuma posição perante os abismos da existência, ele será um Homer Simpson, indeciso entre a cerveja e o controle remoto, um verdadeiro idiota.

É preciso resgatar a experiência real, a criatividade, o conhecimento do mundo não mediado, precisamos romper com esse paradigma de um mundo Nerd, de uma vida de sonhos comprados, colecionados, feitos em série para as massas. Cada um de nós que tem um filho, que trabalha a educação, deve repensar se queremos mesmo viver na Nerdlândia, ou se preferimos dizer NÃO aos apelos alienantes de uma indústria que tenta nos escravizar, roubar nosso dinheiro deixando consequências catastróficas. Devemos pensar também em nós mesmos, eliminar nossa atitude passiva, apenas receptiva, e recuperar o entretenimento como uma forma de exercer o gozo pela vida, não apenas como consumismo e fuga.




1 Comentário:

Kleiton Gonçalves disse...

Olá. Gostei do texto. Não gostei da escolha de "néscio". Na boa, ainda prefiro CDF por diversas razões que não interessam escrever aqui. Mesmo assim, a ideia de CDF (ou nerd) mudou muito com o tempo. Atualmente, não passa de mero consumidor de cultura pop gringa e supérflua (ou melhor, de moda).

Gostei da conclusão de sua matéria, em relação ao consumo. Mas é difícil equacionar o interesse por entretenimento criativo e o consumo - talvez - desnorteado. E, no final das contas, ainda descambamos na antiga celeuma entre querer e ter dinheiro e como gastá-lo conscientemente. E isso dá muito pano para manga.

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